terça-feira, 27 de julho de 2010

A Liturgia Evangélica 18: As Orações do Povo

Por Michael "iMonk" Spencer.

The Evangelical Liturgy 18: The prayers of the people originalmente publicado em InternetMonk, 22 de outubro de 2009. Traduzido com permissão.

Confira o ótimo artigo de Dennis Bratcher sobre as Orações do Povo na liturgia. Um tutorial completo sobre os diferentes tipos de orações, litanias, coletas etc. está disponível nesta página da Igreja Evangélica Luterana do Canadá. [ambos em inglês, N. do T.]

A idéia de "pedidos de oração" congregacionais em um Culto de Adoração é suficiente para fazer qualquer um que esteja organizando um culto para seekers surtar e sair correndo da reunião de planejamento.

Na minha tradição, abrir espaço para pedidos verbais de oração é um grande risco de matar a reunião em que isso aconteça. Provavelmente se ouvirá "excesso de informação" sobre procedimentos médicos, problemas familiares e várias situações onde a intervenção divina é necessária. O foco da oração raramente foge de questões médicas e pessoais. Para um visitante em uma situação dessas, esse tipo de exposição pode fornecer um bom motivo para nunca mais voltar.

É claro, uma comunidade de fé ora junta, e motivos de oração podem cobrir toda a gama das experiências humanas, desde a mais sublime até ao trivial e ao ridículo. Não é louvável que se diga que uma igreja é uma comunidade de estranhos que não choram uns com os outros ou não sentem as agruras da vida juntos.

A liturgia deveria ensinar as pessoas a orar. A mais básica de todas as funções da liturgia é moldar os pensamentos, palavras e corações -- expressões de um povo -- à forma de um ato de adoração.
Quando eu comecei a visitar igrejas litúrgicas, eu tenho de admitir que fiquei bem surpreso com a quantidade de tempo dada às orações por vários motivos, e quão ordenadamente essas orações eram realizadas. Foi notável, comparado com o vale-tudo médico e "fofoquístico" com o qual eu estava acostumado.
Por exemplo, em uma igreja presbiteriana que eu visito com freqüência, os pedidos de oração são colocados na salva de ofertas, imediatamente recolhidos pelos diáconos, trazidos à frente e dados ao ministro, que os inclui na oração pastoral. Como bons presbiterianos, tudo se faz com muita ordem.

Na igreja episcopal que eu visito na minha cidade natal, orações intercessórias são uma parte em si mesma do culto, começando com uma litania escrita de motivos de oração, e continuando com um momento de compartilhar os nomes e situações de pessoas a serem lembradas em oração. Parece que é possível dizer simplesmente "Oremos pelo Fulano de Tal, que está internado para tratamento de câncer" e a congregação responder "Oramos ao Senhor". Sem necessidade de entrar em detalhes.

Na minha experiência na Igreja Batista, pedidos de oração costumam ser falas compridas cheias de longas e detalhadas descrições que parecem dizer "eu sei mais do que todo mundo aqui", como se fosse um tipo de competição para ver quem sabe mais dos assuntos da vida da comunidade. Bem-intencionado, mas nada funcional enquanto elemento do culto.

Eu aprendi a apreciar as "Orações do Povo" como uma valiosa e atraente parte da tradição litúrgica católica/anglicana/luterana que pode efetivamente disciplinar os protestantes para serem mais objetivos, eficientes e até mesmo teologicamente consistentes no uso dos pedidos de oração no culto.

O pulo-do-gato para os protestantes e evangélicos aqui é o papel do dirigente das orações. No momento de abrir para os "pedidos de oração", muitos dirigentes de culto se tornam muito casuais e conversadores, o que é bom em certas situações. A tradição mais formal das Orações do Povo mantém o dirigente ligado no modo "Oficiante Litúrgico" e não convida a conversas casuais.

Na igreja presbiteriana onde eu costumo oficiar nos cultos, eu tenho uma "liturgia" minha própria, nesta parte do culto. Eu desço para o nível da congregação. Nós temos breves menções de pedidos de oração. Observamos um período de silêncio, depois a oração pastoral, terminando com o Pai Nosso. Essa é uma parte profunda do culto. Eu me torno um pouco mais casual, mas não de uma forma que dê a parecer que perdemos o foco de culto. Colocar as orações do povo no contexto de outras orações é útil. Não é algo que siga o Manual ou o Livro de Oração ao pé da letra, mas funciona bem em uma congregação pequena.

Eu tenho ciência de que em algumas igrejas, o número de presentes torna a participação individual nas Orações do Povo impossível. Duvido que uma igreja de mais de 300 consiga fazer isso com profundidade. Mas eu ainda consideraria as Orações uma parte importante da liturgia. (Pentecostais ou chefes de ministério de jovens que estão aí comichando para dividir o povo em grupos e mandar orar com o vizinho de banco, sosseguem aí!)

Muitos evangélicos têm Reuniões de Oração como um ofício religioso durante a semana, embora isto esteja desaparecendo. Tornar esse tipo de ofício profundo e não entediante ou "fofoquístico" é um desafio. Outras igrejas vão deixar este tipo de oração exclusivamente para os grupos pequenos.

Material litúrgico para incorporar orações intercessórias na liturgia são comuns na maior parte dos Manuais e Livros de Oração. Eles tornam mais amplos os nossos horizontes de oração e ajudam as congregações a pensar em toda a gama de motivos de intercessão, e não apenas nos assuntos médicos e pessoais.

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