quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Não ter medo de virar um “episcopal”

Por Peter Leithart*
“Of not being afraid of becoming an ‘Episcopalian’” originalmente publicado em Patheos, 7 de abril de 2012.

Trad. Eduardo Henrique Chagas



Tem um pequeno movimento litúrgico acontecendo ultimamente entre as igrejas reformadas, e uma mudança maior entre os protestantes conservadores, ou evangelicais.

Os críticos desse movimento perguntam, e com razão, se esta não é apenas mais uma expressão da cultura de consumo do cristianismo norte-americano: é a modinha da vez, sem qualquer fundamento nas Escrituras ou na tradição. E essa é uma pergunta válida, uma precaução necessária. O interesse litúrgico no meio evangelical pode, daqui a uma ou duas décadas, seguir o caminho dos acampamentos e das igrejas voltadas aos “que estão procurando”, nenhum dos quais desapareceu por completo, mas que tiveram, ambos, seus dez minutos de fama antes de virar notícia velha.

Os críticos também se preocupam ao observar o estado atual das “igrejas litúrgicas”. A Igreja Episcopal está uma bagunça, incapaz de afirmar sequer os padrões bíblicos mais óbvios de moralidade sexual. A ELCA e a PCUSA não estão muito atrás. (Católicos romanos e ortodoxos mantiveram os padrões bíblicos, e por essa razão tendem a ser mais atraentes aos evangelicais que estão vagando por aí). Vocês não têm medo, perguntam os críticos, de perder suas coordenadas bíblicas?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Matthew Henry e a disciplina puritana da oração em família

John Faed (1819-1902). A noite de sábado do lavrador. Gravura. Museu Burns House, Mauchline, Escócia, Reino Unido. 
Os puritanos são um marco na história da Reforma e na história da Igreja, de uma forma geral. Sua tremenda paixão, seriedade e intencionalidade em todos os assuntos em que se envolviam sempre provocaram, em seus observadores e principalmente em seus oponentes, um misto de admiração e revolta.
Neste artigo, o Prof. Hughes Oliphant Old parte da obra de Matthew Henry para descrever a prática puritana da oração diária em família, o Culto doméstico, traçando um paralelo entre ela e o ofício diário monástico medieval -- demonstrando, afinal, uma imensa catolicidade nessa importante disciplina familiar puritana.

quarta-feira, 1 de março de 2017

A Quaresma: uma perspectiva reformada

Nas igrejas protestantes e evangélicas brasileiras, muito por causa da abordagem anticatólica de nossos primeiros missionários, existe uma grande resistência e, na maioria das vezes, muita ignorância quanto aos tempos e ênfases do Calendário Cristão. E, embora não seja tão difícil introduzir, por exemplo, o tempo do Advento (visto que a Segunda Vinda de Cristo é um tema fortíssimo de nossa hinódia e de nosso ideário), por outro lado encontramos na observação da Quaresma um dos maiores desafios aos pastores protestantes de orientação mais litúrgica.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um breve histórico do uso do colarinho clerical na tradição presbiteriana

Por Timothy R. LeCroy*
Originalmente publicado em Vita Pastoralis, 17 mai. 2012.


Introdução

Parece que não existiu um traje distinto para os ministros cristãos até perto do século VI. O clero vestia o que os demais cidadãos vestiam, embora de forma mais sóbria e discreta, condizente com seu ofício. Com o passar do tempo, os trajes do laicato mudaram com a moda e os costumes, enquanto os ministros permaneceram conservadores no modo de vestir, como normalmente acontece. O resultado foi que o vestuário do clero cristão tornou-se distinto daquele do laicato, e assim os trajes passaram a ser investidos (sem trocadilho) de significado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O uso do "Sursum corda" em Calvino

por Jack Kinneer

Originalmente publicado em Roots of Reformed worship, n. 6, 1998.

Embora Calvino tenha dado a seu manual de culto de 1542 o título de A Forma das Orações e o modo de ministrar os Sacramentos segundo o uso da Igreja antiga, há pouca conexão textual entre a liturgia de Calvino e as fórmulas litúrgicas da antiguidade. Muitos dos elementos considerados clássicos não estão presentes em sua Forma das Orações. Ele não usa o Kyrie eleison, o Agnus Dei, o Te Deum, o Gloria in excelsis ou o Sanctus. Contudo, em um ponto de sua liturgia, Calvino decidiu conservar um trecho de um texto litúrgico antigo. Este texto é normalmente chamado de Sursum corda.