quinta-feira, 26 de junho de 2008

Podiam construir mais templos assim...


A Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Bauru (SP) foi a primeira igreja protestante da cidade, fundada em 1919. O templo atual, na Rua Cussy Jr., revive o estilo gótico francês e tem capacidade para 400 pessoas.

Sua construção foi iniciada em 1949 e durou até 1964. O Anexo de Educação Religiosa é de 1996.

(do site oficial da igreja)



Eu fui a Bauru três vezes até hoje, mas ainda não tive a chance de visitar pessoalmente a Primeira IPI. Lembro-me de ter lido em algum lugar que o arquiteto foi o mesmo da Catedral da IPI em São Paulo (o que faria muito sentido, pois há muitos detalhes em comum, de modo que não pode ser apenas porque ambas pertencem ao estilo neogótico); mas preciso confirmar isso.

Considerando as opções e o andar da carruagem, talvez eu venha a me casar nela...

Só queria saber, por que em vez de estimular a boa arquitetura, as igrejas presbiterianas se meteram a levantar caixotes, feios e sem graça? Onde foi parar "para Deus, só o melhor"?


Fotografia: Reginaldo (www.photografos.com.br)

4 comentários:

Rev. Giovanni C.A. de Araújo disse...

Alguns argumentos: Dinheiro, moda e influência evangélica, além de uma forte influência anti católica.

Eduardo Chagas disse...

O pior é que, com uma docência adequada, dava pra derrubar os quatro...

Ninguém merece o galpão com um tapume na frente da porta e as letras em semi-círculo...

Anônimo disse...

Saudações Cristãs...

Pois é, jovem entusiasta...
Mas, mediante o exposto, cabe-lhe uma sucinta, todavia, "nevrálgica" questão:

- Quem abrigar em tais templos?

Afinal, o que vem a ser "Igreja Presbiteriana"?... Aliás, nos presentes dias, mais oportuno e contextual seria dizer: "Onde estão os presbiterianos?"...
Até onde nos consta, templos abrigam deuses... Ora, a Divindade judeu-cristã é inequivocamente explícita ao declarar que NÃO habita em templos confeccionados por mãos humanas... Por um outro lado, porém, templos também costumam abrigar uma "ekklésia"... Contudo, uma "ekklésia" é composta por pessoas....E, "em se tratando" de "Igreja Presbiteriana", onde estariam elas?...
Ademais, o próprio Calvino, em sua peculiar ortodoxia, rechaça toda e qualquer sofisticação, seja no tocante ao "locus" ou liturgia... "Quatro paredes e um sermão" é sua medida e parâmetro...


Atenciosamente.

Eduardo Chagas disse...

Até onde nos consta, templos abrigam deuses...

Tá, esse é uma das possíveis acepções do termo. Mas não é a que eu uso, nem a mais usada no senso comum (nem na legislação e jurisprudência da IPB, que sistematicamente se refere a "templo" como a construção física destinada à celebração do Culto Público).

E, nesse sentido, as comunidades presbiterianas poderiam se esforçar um pouquinho mais em caprichar. Não porque Deus vá habitar nos templos, onipresente que é e também levando-se em conta a promessa de sua presença onde quer que houvesse dois ou três reunidos em seu nome. Mas sim, porque o local que dedicamos ao Culto Público ao Senhor não é um mero auditório onde nos reunimos para ouvir uma palestra semanal.

O templo é um lugar que o povo de Deus separa (literalmente, santifica) para o serviço exclusivo do reino de Deus (serviço, liturgia).

Ao contrário da crença evangélica generalizada, o culto é mais do que música com letra doxológica seguida de uma palestra.

No Culto Público, o homem é chamado a experimentar o "Totalmente Outro", o Deus que é Transcendente. É confrontado pela realidade de seu pecado, e tem a oportunidade de, pelos mistérios da cruz de Cristo, ser reconciliado com Deus.

Pelo poder do Espírito Santo, a Palavra de Deus, o Verbo de Deus, o Logos de Deus, é efetivamente proclamado na leitura e na exposição das Sagradas Escrituras.

Pela promessa de Jesus, ao interceder pela Santa Igreja, pelas autoridades constituídas, pelo mundo, pela paz e pelas preocupações da comunidade local, temos a oportunidade de ligar no céu aquilo que ligamos na terra.

No cumprimento das promessas de Deus, o Corpo de Cristo tem enxertado em si novos membros, e o Espírito Santo é derramado sobre as vidas dos cristãos por meio do Sacramento do Batismo.

Na obediência ao mandamento de Jesus, os cristãos comungam de seu verdadeiro Corpo e de seu verdadeiro Sangue, ao dar graças pela obra redentiva de Cristo, e implorar pela obra constante do Espírito Santo sobre a vida da Igreja.

Tudo isso pode ser feito em um auditório qualquer com cadeiras e uma estante no meio.

Mas ao separar um lugar e consagrá-lo especificamente para a finalidade desses santos mistérios, a Igreja está reconhecendo, com humildade, reverência e gratidão, a transcendência de Deus, que escolheu pontuar a Criação com imanência, por misericórdia, por graça. Nós, por isso, resolvemos consagrar um espaço e elementos imanentes à transcendência.


Claro que dá pra ministrar o Sagrado Batismo validamente usando uma combuca de 100mL d'água. Mas fazê-lo em uma pia batismal consagrada para este uso revela especial gratidão da Igreja por este meio de graça, a ponto de dedicar, não sem esforços, um utensílio para este fim exclusivo.

O mesmo vale para a Santa Mesa da Eucaristia, seja ela de compensado ou de madeira maciça.

O mesmo vale para o púlpito, seja ele uma estante de MDF ou acrílico, ou um púlpito elevado em madeira talhada.


"Quatro paredes e um sermão" nem de longe reflete a alta Teologia do Culto de Calvino, que atribuía à divina Palavra e aos divinos Sacramentos a mesma dignidade e importância. A frase talvez reflita a leitura malfeita que dele fizeram os puritanos e seus sucessores.


Chame como quiser, de "templo", "santuário" (coisa de batista?), "salão de cultos" (coisa de metodista?). A verdade é que os protestantes deveriam mostrar mais gratidão e reverência na hora de levantar os edifícios destinados ao Culto Público. Que não é uma palestra sobre Deus -- é um encontro imediato com o Senhor em sua Palavra e em seus Sacramentos.