terça-feira, 22 de julho de 2008

Hinário e Cancioneiro Reformados

Como eu já delineei no post anterior, um dos grandes projetos da Sociedade pela Liturgia Reformada será publicar (mesmo que apenas virtualmente) dois compêndios de música. Um será voltado à forma mais tradicional de canto congregacional protestante no Brasil, o hino métrico (ou simplesmente "hino"). O outro, à forma de uso mais crescente, que é a dos cânticos congregacionais, compostos na forma de música popular.

O critério básico de seleção das músicas será essencialmente a adequação teológica das suas letras à teologia reformada. Hinos e corinhos clássicos certamente serão incluídos, bem como composições novas que forem mandadas pra cá. Todas as letras serão revistas e editadas conforme necessário para adequação teológica.

Os dois volumes terão a mesma organização interna, voltada para facilitar a consulta e o manuseio (se é que edições em papel chegarão a ser impressas e manuseadas). Essa estrutura também facilita a ampliação dos livros em edições seguintes. Vejamos:

Primeiro, como em toda a tradição do culto cristão, os livros conterão 35 capítulos, separados em duas partes principais, a dos Ordinários e a dos Próprios. Em cada um dos capítulos, a numeração dos cânticos e hinos é zerada (por exemplo, 02.01, 02.02, 02.03, 03.01 etc.). Assim, fica facilitada a inclusão de novas músicas em edições posteriores.

Na parte dos Ordinários, ficarão os hinos ou cânticos de uso geral da Igreja, que farão parte do seu repertório cotidiano, podendo ser usados em todo tipo de culto. Na verdade, a própria ordem dos assuntos é a do culto reformado: chamada à adoração, penitência, redenção, Palavra, ação de graças, Sacramentos e intercessão. Ela conterá 13 capítulos:

1. Cantos Litúrgicos Ordinários

Aqui, serão incluídos os cantos e responsos litúrgicos tradicionais da Igreja Cristã:
Kyrie (Senhor, tem misericórdia de nós),
Glória ao Pai,
Glória a Deus nas alturas,
versões musicadas do Credo,
o Sanctus (Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exércitos, os céus e a terra estão plenos da sua glória)
o Benedictus (bendito o que vem em nome do Senhor),
o Agnus Dei (Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, tem misericórdia de nós e dá-nos paz).

Além de aleluias, améns, responsos e outras doxologias (cânticos curtos de adoração) tradicionais.

2. A Santíssima Trindade
3. Deus, o Pai
4. Deus, o Filho
5. Deus, o Espírito Santo

Os capítulos 2 a 5 serão dedicados aos cânticos e hinos de louvor à Santíssima Trindade e às suas pessoas consideradas individualmente. O teor das letras, aqui, deve ser estritamente doxológico, ou seja, de simples louvor a Deus. Cânticos que aliam a doxologia a petições ou aspirações serão incluídos nos capítulos específicos.

6. Cânticos Penitenciais
7. Cânticos de Redenção

O capítulo 6 trará letras em que se confessa a condição de miserável pecador do homem e a sua dependência de Deus. O capítulo 7 é dedicado às letras que celebram a redenção dada por Deus ao homem pecador.

8. A Palavra de Deus

As canções do capítulo 8 exaltam as virtudes da Bíblia, como revelação autorizada da Palavra de Deus, fonte de sabedoria, instrução e doutrina para o cristão.

9. Salmos e Cantos Bíblicos

O capítulo 9 é dedicado a metrificações, versificações e paráfrases de passos das Escrituras. O cântico de salmos metrificados é tradição de raiz indiscutivelmente reformada, embora largamente abandonada no presbiterianismo brasileiro.

10. Ações de Graças

O capítulo 10 enfoca a ação de graças do homem a Deus pelos benefícios que este lhe concede, desde a vida até o sustento e especialmente a salvação. São letras propícias sobretudo à dedicação das ofertas antes da celebração eucarística.

11. O Sagrado Batismo
12. A Sagrada Eucaristia

Os capítulos 11 e 12 enfocam os dois sacramentos universalmente aceitos pela Igreja de Cristo, o Sagrado Batismo e a Sagrada Eucaristia.

13. Intercessão e Fé

Encerrando a parte dos Ordinários, cânticos de intercessão, que dirigem a Deus súplicas em favor do mundo, da Igreja, dos enfermos, dos desvalidos e de todas as mais preocupações dos cristãos.


A segunda parte é a dos Próprios, hinos e cânticos destinados a ocasiões específicas do calendário eclesiástico, civil, ou da vida da igreja.

14. O Advento
15. O Natal
16. A Epifania
17. A Quaresma
18. A Entrada Triunfal do Senhor
19. A Paixão e Morte do Senhor
20. A Ressurreição do Senhor
21. A Ascenção do Senhor
22. A Grande Comissão
23. O Pentecostes
24. A Segunda Vinda e o Celeste Porvir
25. O Culto ao Senhor
26. A Escola Dominical
27. As Sociedades Internas da Igreja
28. A Confirmação
29. A Ordenação e Instalação de Oficiais
30. A Unção dos Enfermos
31. O Casamento e o Lar Cristão
32. Encomendação e Ofícios Fúnebres
33. Testemunho e Aspiração Cristãos
34. O Ano Novo
35. A Pátria


O endereço atual dos arquivos do Projeto é http://www.4shared.com/dir/8288577/4010674e/Msica_Reformada.html

O Projeto, como sempre, aceita colaborações! =)

4 comentários:

Don Jon disse...

Impressive!

I must say that you have put a lot of thought into the over-all structure of the Hymnal, something that would be as comprehensive as the one you outlined.

Will the sections dedicated to the Psalms and Canticles also have old plainchant settings and metered versions side by side? And will there be space for all 150 psalms plus the ancient canticles, too?

Then again, how will most Brazilian Presbyterians react to plainchant settings of the Psalms, for instance?

Don Jon disse...

Just to add: how big will the hymnal be?

Eduardo Chagas disse...

Don,

Thanks! I spent a few months thinking on the structure of the books... Might be hard filling all chapters, especially in the (praise band-oriented) Songbook.

On the size of the hymnal... The largest one ever published in Portuguese, Salmos e Hinos (1975, Congregational) has about 675 hymns. I might just as well round ours off to 700...

Thinking realistically, it's 35 chapters; if we do an average of 10 hymns per chapter, we get 350 (which is the size of the 1962 Hinário Anglicano).

Some of them in the hymnal have more than 20 titles already (Christmas and the Holy Trinity, for example); others won't have more than a couple songs (I'm inclined to have our translation of My country 'tis of thee, sung to AMERICA, as the only patriotic hymn, for instance). Not too many New Year hymns in Portuguese either (Novo Cântico, the 1991 Presbyterian hymnal, brings three of them, of which I have only heard one, ever).

All a matter of knowing when to stop. Talking is cheap, of course.

This is why I'm having second thoughts on the Psalms and Canticles chapter, at least for the hymnal. Perhaps publishing the Psalter as a separate project, if we're really going to have it complete.

Plainchant and Anglican chant are concepts absolutely alien to the average parish church in Brazil (even RC and high Anglican ones). We might need a couple years of massive counter-anticatholic education before getting it accepted here... For the Hymnal, the idea was to use metered versions only. For the Songbook, whatever happens to be available out there.

If we publish a separate Psalter, though, we might have praiseband-style songs, metered versions and chant settings all side by side. This might help spread these different styles to unlikely audiences: Imagine the band leader at a happy-clappy shack singing chant, or a die-hard hymn-sandwich diner using a praise-band version for piano...

I think I'll do just that! Thanks!

Don Jon disse...

Ed,

With regard to Psalms and Canticles, a separate Psalter will be ideal, especially for those observing the Offices. Then again, for this project to really take off, you might need to enlist the help of friends in other liturgical places in your neck of the woods. That'll mean all 150 Psalms, plus the Canticles, all in multiple settings. That'll be heavy. Add to that the chanted versions according to the Lectionary, plus the arrangements for the Antiphons.

I take it that most of the warhorses of the Church will be included, "Amazing Grace" being one of them. Add to that the usual tunes: NICEA, DIADEMATA, CWN RHONDDA, SINE NOMINE, SLANE, ABBOT'S LEIGH, and so forth.

On the local scene, my people (especially the RCs) need to be reintroduced to plainchant. This is especially the case with the rather narrow repertoire of 8-12 songs (plus settings of the Mass) composed mostly by Jesuits during the '70s and '80s. The up-side is that the traditional Protty shacks that now constitute the United Church here, and they love their hymns, but no Psalmody or antiphons. The UCCP are the regular hymn-sandwich diners 'round these parts, and there's usually a side of praise-band music for garnish.

Much of what I claim as my own liturgical library was downloaded from the Internet Archive, including a good number of old and out-of-print volumes. Even musicasacra.com helps for your good old chant resources, all free of charge.