quarta-feira, 25 de maio de 2011

Iniciação Cristã

A Sociedade pela Liturgia Reformada publica, hoje, seu Ritual de Iniciação Cristã.

Desde os primórdios da Reforma, grande atenção foi dada a esses ritos, que não apenas marcam eventos sociais (como o nascimento e a passagem à vida adulta), mas refletem de forma marcante e visível eventos centrais da própria fé cristã.



O Santo Batismo, em todas as tradições cristãs, é tido como o sinal visível pelo qual a pessoa é incorporada, enxertada, no Corpo de Cristo, que é sua Santa Igreja. A tradição reformada, fazendo coro à maioria das tradições cristãs, considera tanto os crentes quanto seus filhos como herdeiros de uma aliança eterna entre Deus e seu povo escolhido; a princípio, Israel e, hoje, a Igreja. E o estudo e reforma do rito batismal foi sempre uma das primeiras providências de todos os Reformadores envolvidos na promoção de uma liturgia biblicamente informada.

Também se contempla formas para a Pública Profissão de Fé e Batismo de adultos, bem como para a Confirmação dos Votos Batismais de adultos batizados na infância, ato que os documentos presbiterianos geralmente reúnem sob o título de Pública Profissão de Fé. Por meio desse ato consciente e voluntário, o cristão afirma sua convicção diante de Deus e da Igreja, e assim passa a participar plenamente de sua comunhão. Nas igrejas que não admitem a pedocomunhão, isto significa, além dos direitos políticos inerentes à plena membresia da Igreja, o direito de participar do Sacramento da Eucaristia.

Também estão presentes formas para o Batismo de emergência (realizado em visitação a enfermos conversos em risco iminente de vida), bem como para a recepção de membros por transferência.

Como sempre, opiniões sobre o texto, a forma, o conteúdo teológico e a fluidez desses Ritos, e mesmo a sua "usabilidade" nas igrejas locais, são muito bem-vindas. É o desejo da Sociedade pela Liturgia Reformada que este documento seja útil e edificante para todos quantos dele se valerem.

O arquivo pode ser baixado aqui, ou na barra lateral.

2 comentários:

Edison disse...

Ilustrìssimo Reverendo
Eduardo Chagas:

Salve!


Sou Catòlico Romano tradicionalista(daqueles q apreciam a Liturgia Tridentina...) e estudioso de liturgia por diletantismo. Entusiasmou-me descobrir seu Blog; gostaria de escrever p/ o Reverendo mas na falta de seu mail; q agradeceria se enviasse-me; espero q leia meu comentàrio-msg.

Na internet sempre encontrei vàrios BCPs; liturgias luteranas; metodistas e presbiterianas; inclusive a 1a liturgia de cada uma destas tradicões; mas nunca achei uma liturgia originalmente batista. Vossa Reverencia saberia informar qual foi a 1a liturgia batista e; quem sabe; atè disponibilizà-la p/ mim?... Procuro isto hà anos mas n acho...

Gostaria de seu endereco-e e saber de q cidade è. P/ mim romanista; embora conheca diversas liturgias reformadas e seja um apreciador do BCP elisabetano(muito melhor do q a Liturgia do Papa Paulo VI usada atualmente pela Igreja Latina!!!...); um grande apreco pela liturgia como o seu soa-me demasiado romanista p/ um Cristão Reformado... ; è-me concomitantemente incompreensìvel e admiràvel! Parabèns!



Grato;
Edison. (edisonmauro@gmail.com)

Eduardo Chagas disse...

Salve, Edison!

Ainda não cheguei a Reverendo, sou um mero candidato às Sagradas Ordens ainda, com vistas a começar o seminário no ano que vem! Estou em Franca/SP, e seguirei para o Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas/SP.

Quanto à liturgia batista "original", pelo que a minha pesquisa informa, não existia uma forma fixa como a da Missa, do LOC anglicano ou das primeiras liturgias reformadas.

Os batistas começaram justamente com a negação do uso de formas fixas, na esteira dos puritanos. Some-se a isto o governo congregacional, inerentemente incapaz de gerar uma forma litúrgica de aceitação geral dentro da denominação, e tem-se a impossibilidade de uma liturgia batista "oficial"!

Com o tempo, eles invariavelmente desenvolveram uma certa "rotina litúrgica", em geral muito próxima da do culto puritano, começando com a confissão geral de pecados, cântico de salmos e/ou hinos, leitura bíblica, sermão e bênção, com a Eucaristia celebrada muito espaçadamente.

A questão da música foi controvertida; os primeiros batistas não cantavam de forma nenhuma no culto, e a introdução da música, primeiro de salmos metrificados à moda puritana, e depois de hinos "não-inspirados", à moda luterana, foram motivo de cisma, embora não muito depois a prática do canto no culto tenha se universalizado.

Os batistas desde sempre valorizaram a habilidade de seus ministros para a oração extemporânea, e era (é) extemporaneamente que eles celebram não apenas o culto mas todas os demais ritos e "ordenanças". Empregam no máximo esquemas, esboços, mas jamais formas escritas completas.

Mais recentemente (séc. XIX), eles foram influenciados pela liturgia avivalista de fronteira, nos EUA, e é nessa forma de culto que os batistas pensam quando se fala em "culto tradicional". Foi essa forma que os missionários trouxeram para o Brasil.

Agradeço os elogios e o incentivo! Talvez a palavra certa para me descrever não seja "romanista", mas com certeza, "católico", no sentido etimológico da palavra!

Um abraço!