quinta-feira, 21 de março de 2024

Por que “Domingo de Ramos e Paixão do Senhor”, e não apenas “Domingo de Ramos”?


 Originalmente publicado em Discipleship Ministries – United MethodistChurch, 20 de abril de 2011.

 Trad. Eduardo H. Chagas

 

Um artigo de blog da semana passada em Christian Century, “Against Passion Sunday” (“Contra o Domingo da Paixão”), provocou uma variedade de respostas à prática atual de se celebrar o último domingo na Quaresma como Domingo de Ramos/Paixão do Senhor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Hino: Às portas de Damasco

Imagem: Nicolas Bernard Lepicié (1735-1784). A conversão de S. Paulo (1767). Óleo sobre tela. Museu Norman Rockwell, Stockbridge, Massachusetts, EUA. 

A tradição ocidental relembra, no dia 25 de janeiro, a dramática conversão de Saulo de Tarso à fé cristã, retratada no capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos. O jovem fariseu passou de feroz perseguidor da Igreja ao maior propagador da fé entre os gentios, e o mais prolífico autor do Novo Testamento.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Nós precisamos de rituais altamente formais para tornar a vida mais democrática

Um jantar formal em Magdalene College, Cambridge. Foto de Martin Parr/Magnum.

 Por Antone Martinho-Truswell.

Trad. Eduardo Henrique Chagas.


We need highly formal rituals in order to make life more democratic originalmente publicado em Aeon, 29 de abril de 2020. 

Antone Martinho-Truswell é deão e Chefe de Casa da Graduate House da Faculdade St. Paul’s da Universidade de Sydney, Austrália, e pesquisador associado do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford. Sua pesquisa atual concentra-se em como pássaros aprendem conceitos e processam informações. Ele mora em Sydney, Austrália. 

Benedictus, benedicat, per Jesum Christum, Dominum Nostrum. 
Amen. 

 Sentem-se, por favor. É hora do jantar em St. Paul’s College, Sydney, onde sou o deão e Chefe de Casa da Casa dos Pós-Graduandos. Os membros da Mesa Alta, trajando becas acadêmicas, entraram em processional no refeitório, dirigindo-se a uma mesa posta com candelabros e prataria do acervo da faculdade, cada lugar posto com talheres e copos. Os alunos, também de beca, levantam-se de seus lugares para saudar a Mesa Alta, e permanecem de pé até que o presidente termine a oração em latim (esta é a versão curta – uma mais completa é reservada para datas especiais). Agora que todos estão sentados, uma refeição de três pratos é servida, acompanhada de poesia, música, avisos e diversão bem-vestida. Vinho do Porto é servido. Uma oração final é dita após o jantar, então todos se retiram para o salão comunal para um café (ou mais vinho do Porto) e bate-papo. Os homens estão de gravatas. As mulheres, igualmente bem vestidas. Os participantes fazem reverência à Mesa Alta ao deixarem a mesa, e a Mesa Alta também se curva ao deixar o jantar. 

domingo, 21 de abril de 2019

Sermão: Ressurreição, dúvidas e fé

S. Mateus 28.1-17
National Presbyterian Church, Washington, DC, EUA
Rev. Dr. M. Craig Barnes
Domingo de Páscoa, 15 de abril de 2001.
Trad. Natan Cerqueira

Introdução

Tenho algo a dizer nesta manhã, particularmente àqueles de vocês que, hoje, aqui, se sentem à margem da fé. Isso inclui aqueles de vocês que vêm à igreja religiosamente, mas que ainda têm dúvidas, e inclui aqueles de vocês que não vêm à igreja com tanta frequência, mas que ainda têm fé. Eu acho que isso corresponde a todos aqui, pois há um crente e um descrente vivendo dentro de cada um de nós, especialmente na Páscoa.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Templos não são apenas prédios

A Igreja é feita de pessoas. Mas elas precisam de um lar.


Por Craig Barnes

Originalmente publicado em Christian Century, 26 de outubro de 2018.

Trad. Eduardo Henrique Chagas


Em todas as três comunidades em que servi como pastor, não havia uma tarefa que eu encarasse com mais hesitação do que as reuniões da comissão de patrimônio. Para ser caridoso, as pessoas com inclinação a servir nessa comissão gostam que sua fé seja material, palpável e sólida como pedra e cimento. São os membros menos gnósticos da igreja. Para ser menos caridoso, pode ser que sejam mais devotados ao prédio do que à missão da Igreja.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Redescobrindo a Mãe Igreja

O presbiterianismo brasileiro descende do norte-americano, e especialmente daquele praticado na fronteira norte-americana durante o séc. XIX, com toda a influência avivalista que caracteriza esse momento no protestantismo norte-americano.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Não ter medo de virar um “episcopal”

Por Peter Leithart*
“Of not being afraid of becoming an ‘Episcopalian’” originalmente publicado em Patheos, 7 de abril de 2012.

Trad. Eduardo Henrique Chagas



Tem um pequeno movimento litúrgico acontecendo ultimamente entre as igrejas reformadas, e uma mudança maior entre os protestantes conservadores, ou evangelicais.

Os críticos desse movimento perguntam, e com razão, se esta não é apenas mais uma expressão da cultura de consumo do cristianismo norte-americano: é a modinha da vez, sem qualquer fundamento nas Escrituras ou na tradição. E essa é uma pergunta válida, uma precaução necessária. O interesse litúrgico no meio evangelical pode, daqui a uma ou duas décadas, seguir o caminho dos acampamentos e das igrejas voltadas aos “que estão procurando”, nenhum dos quais desapareceu por completo, mas que tiveram, ambos, seus dez minutos de fama antes de virar notícia velha.

Os críticos também se preocupam ao observar o estado atual das “igrejas litúrgicas”. A Igreja Episcopal está uma bagunça, incapaz de afirmar sequer os padrões bíblicos mais óbvios de moralidade sexual. A ELCA e a PCUSA não estão muito atrás. (Católicos romanos e ortodoxos mantiveram os padrões bíblicos, e por essa razão tendem a ser mais atraentes aos evangelicais que estão vagando por aí). Vocês não têm medo, perguntam os críticos, de perder suas coordenadas bíblicas?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Matthew Henry e a disciplina puritana da oração em família

John Faed (1819-1902). A noite de sábado do lavrador. Gravura. Museu Burns House, Mauchline, Escócia, Reino Unido. 
Os puritanos são um marco na história da Reforma e na história da Igreja, de uma forma geral. Sua tremenda paixão, seriedade e intencionalidade em todos os assuntos em que se envolviam sempre provocaram, em seus observadores e principalmente em seus oponentes, um misto de admiração e revolta.
Neste artigo, o Prof. Hughes Oliphant Old parte da obra de Matthew Henry para descrever a prática puritana da oração diária em família, o Culto doméstico, traçando um paralelo entre ela e o ofício diário monástico medieval -- demonstrando, afinal, uma imensa catolicidade nessa importante disciplina familiar puritana.

quarta-feira, 1 de março de 2017

A Quaresma: uma perspectiva reformada

Nas igrejas protestantes e evangélicas brasileiras, muito por causa da abordagem anticatólica de nossos primeiros missionários, existe uma grande resistência e, na maioria das vezes, muita ignorância quanto aos tempos e ênfases do Calendário Cristão. E, embora não seja tão difícil introduzir, por exemplo, o tempo do Advento (visto que a Segunda Vinda de Cristo é um tema fortíssimo de nossa hinódia e de nosso ideário), por outro lado encontramos na observação da Quaresma um dos maiores desafios aos pastores protestantes de orientação mais litúrgica.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um breve histórico do uso do colarinho clerical na tradição presbiteriana

Por Timothy R. LeCroy*
Originalmente publicado em Vita Pastoralis, 17 mai. 2012.


Introdução

Parece que não existiu um traje distinto para os ministros cristãos até perto do século VI. O clero vestia o que os demais cidadãos vestiam, embora de forma mais sóbria e discreta, condizente com seu ofício. Com o passar do tempo, os trajes do laicato mudaram com a moda e os costumes, enquanto os ministros permaneceram conservadores no modo de vestir, como normalmente acontece. O resultado foi que o vestuário do clero cristão tornou-se distinto daquele do laicato, e assim os trajes passaram a ser investidos (sem trocadilho) de significado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O uso do "Sursum corda" em Calvino

por Jack Kinneer

Originalmente publicado em Roots of Reformed worship, n. 6, 1998.

Embora Calvino tenha dado a seu manual de culto de 1542 o título de A Forma das Orações e o modo de ministrar os Sacramentos segundo o uso da Igreja antiga, há pouca conexão textual entre a liturgia de Calvino e as fórmulas litúrgicas da antiguidade. Muitos dos elementos considerados clássicos não estão presentes em sua Forma das Orações. Ele não usa o Kyrie eleison, o Agnus Dei, o Te Deum, o Gloria in excelsis ou o Sanctus. Contudo, em um ponto de sua liturgia, Calvino decidiu conservar um trecho de um texto litúrgico antigo. Este texto é normalmente chamado de Sursum corda.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

As luzes do Advento

Texto originalmente publicado no Informativo Semanal da Igreja Presbiteriana de Franca, 20 de novembro de 2016 (Domingo de Cristo, o Rei do Universo), ano XVI, n. 562. 


 Neste ano, a nossa Igreja vai voltar a praticar uma tradição que nasceu junto com a Reforma Protestante: as luzes do Advento. Embora o seu surgimento exato não seja conhecido, a tradição afirma que a prática vem do próprio Martinho Lutero.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Sim e não: a Quaresma e a fé reformada hoje

Viver como fiéis discípulos de Jesus exige tomar decisões criteriosas. 

Por John D. Witvliet*
Originalmente publicado em The Banner, 18 fev. 2011. 
Trad. Eduardo Henrique Chagas 

Nós somos chamados a "julgar todas as coisas" (I Ts 5.21), a "discernir as coisas excelentes" (Fp 1.10). Para ver este processo de discernimento na prática, vamos pensar na história da Quaresma, o tradicional período de 40 dias (sem contar os domingos) de preparação para a Páscoa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O que é plantar uma igreja sacramental?

Traduzido de What is sacramental church planting?, em Anglican Church in North America.


Por Rev. Cônego Dan Alger*


“Se é que você curte esse tipo de coisa.”

Uma vez eu fui com um amigo visitar uma igreja que estava sendo plantada, que tinha raízes na tradição não-denominacional. Ele estava animado para me levar, porque a sua igreja partilhava da Ceia do Senhor semanalmente, e ele sabia que eu “curtia Comunhão”.

sábado, 21 de junho de 2014

Reflexões a respeito da influência da tradição anglicana sobre a prática litúrgica reformada contemporânea

Existe influência da tradição anglicana sobre a prática reformada contemporânea? 


 Por Jonathan W. Williams

Originalmente publicado em The Aquila Report, 21 de setembro de 2012. Traduzido com permissão. 

Muitas novas igrejas na Presbyerian Church of America (PCA) adotaram um "estilo" de culto que incorpora muitos dos elementos da tradição anglicana em sua liturgia. Embora talvez ainda cantem "cânticos de louvor", os hinos e salmos parecem estar voltando, mesmo que com melodias que soam mais modernas, e executados em outros instrumentos além de pianos e órgãos. Talvez uma igreja plantada nos anos 1980 incluísse em seu culto teatros e dramatizações todo domingo, enquanto pode ser que uma igreja plantada hoje inclua a Comunhão todo domingo. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Monges em oração

Rev. Dan Baumgartner

Monks at prayer originalmente publicado em Bethany Briefs, órgão oficial da Bethany Presbyterian Church, Seattle, Washington, EUA, em setembro de 2008. Todos os direitos reservados ao autor.

Em junho, participei de um seminário chamado "Writing and the Pastoral Life" ["O escrever e a vida pastoral"], com Eugene Peterson. Foi sediado em Collegeville, Minnesota, lar da Universidade e Abadia Beneditina de São João, e me provocou a refletir um bocado sobre o que é seguir Jesus a longo prazo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Por que presbiterianos deveriam ler o Livro de Oração Comum?

por John Ross
tradução de Eduardo Henrique Chagas

Why Should Presbyterians Read the Book of Common Prayer? originalmente publicado em Recycled Missionaries. Traduzido com permissão. A tradução é de inteira responsabilidade do Tradutor.


Uma versão deste artigo foi lida na conferência Positively Presbyterian em Larbert, agosto de 2012.

A revolta contra a introdução do Livro de Oração inglês na Escócia em 1637.

Introdução

Por que presbiterianos confessionais deveriam se interessar pelo Livro de Oração Comum? Será um sinal de que abandonamos nossa herança tradicional e perdemos nossa perspectiva histórica distinta? Se for, estamos em boa companhia. Thomas Chalmers uma vez escreveu a um amigo anglicano: "Admiro por demais (...) os seus Artigos, seu Livro de Oração, suas Homilias."1

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Valores essenciais: Unidade



Sem. Eduardo H. Chagas

SERMÃO
I Coríntios 1.10-17

Sermão pregado à Igreja Presbiteriana Independente de Araraquara em 26 de janeiro de 2014, 3.º Domingo do Tempo Comum, Ano A.


INTRODUÇÃO

No Brasil existe um ditado, com o qual nós não podemos concordar, de que “política, futebol e religião não se discute”. Nós bem sabemos por que o ditado existe. É muito difícil para pessoas que têm opiniões diferentes nesses três assuntos trocar ideias de forma racional, objetiva, sem que as paixões que esses assuntos despertam façam o debate esquentar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Solenidade do Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo (S. Mateus 3.13-17)

Sem. Eduardo H. Chagas.

Comentário ao Evangelho do Dia (1º Domingo após a Epifania, Batismo do Senhor, ano A), proferido à Igreja Presbiteriana de Franca em 12 de janeiro de 2014.


Hoje, pelo calendário litúrgico, comemoramos o Batismo do Senhor Jesus. É a segunda etapa da Epifania, ou seja, da revelação de Jesus ao mundo como Rei e Senhor. A primeira, como vimos na semana passada, foi a adoração dos magos, emblemática de que todos os povos, línguas e nações um dia se prostrarão diante do Senhor Jesus e o adorarão, como o Apocalipse também afirma.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"O culto litúrgico é morto!"



Por James Shiels.

Texto originalmente publicado em A Wandering Pilgrim: Liturgical Worship is dead, 31 de julho de 2011. Traduzido com permissão.



"O culto litúrgico é morto."

"Deus só gosta de orações espontâneas, não de 'orações enlatadas'."

"O culto anglicano é chato! Levante-se, dance, divirta-se!"

Eu escutei cada uma dessas objeções (e tantas outras) contra o culto litúrgico. Quando eu era um protestante evangelical, provavelmente eu mesmo teria feito essas afirmações, apesar de jamais ter participado de uma igreja fortemente litúrgica. Minha opinião sobre o culto litúrgico era bem típica dos demais evangelicais: ritual morto. É, eu achava que igrejas litúrgicas eram mortas. Para um não-cristão, a palavra "litúrgico" pode indicar que o culto é desanimado, mas, como cristãos, as consequências são bem mais sérias. Quando alguém diz que uma igreja é "morta", isto não significa apenas que o culto é chato ou engessado, mas que ela não segue a vontade de Deus, que ela deu as costas ao "verdadeiro" culto cristão ou, pior ainda, que Deus deu as costas para essa igreja. Apesar da firmeza da minha opinião, eu nunca sequer me incomodei em pesquisar o que seria o culto litúrgico, nem sequer sabia o que litúrgico significava, muito menos a sua história. Para mim, litúrgico significava ritual e repetição mecânica, e eu com certeza jamais me envolveria com nada disso.